domingo, 17 de outubro de 2010

"A SEGURANÇA DE SUAS MÃOS ESTÁ NA SUAS MÃOS!"

30% dos acidentes de trabalho no Brasil acometem as mãos





O índice dos acidentes de trabalho no Brasil envolvendo as mãos, cresce a cada ano. A Associação Brasileira de Cirurgia da Mão desenvolve uma ação anual chamada Campanha Nacional de Prevenção a Acidentes e Traumas da Mão, que tem o objetivo de alertar a população sobre os riscos dos acidentes com as mãos e as maneiras de prevenção.


As mãos estão envolvidas na maioria das atividades desempenhadas pelo ser humano, sendo um de seus principais instrumentos de trabalho. Perdê-la significa a interrupção de sua força profissional em uma faixa etária produtiva, além de um enorme trauma psicológico e físico, somado à uma perda econômica para empresa, governo e trabalhador.


Apesar de sua importância para a realização da maioria das atividades, as mãos estão entre as partes do corpo humano mais sujeitas a acidentes. Segundo dados do Anuário Estatístico de Acidentes de Trabalho, publicado em janeiro de 2008, 30% dos 503.890 acidentes de trabalho, atingem mãos, dedos e punhos.


Pensando nisso, a Associação Brasileira de Cirurgia da Mão lançou a Campanha Nacional de Prevenção a Acidentes e Traumas da Mão, já que muitos desses acidentes poderiam ser evitados com investimentos em máquinas mais modernas, com dispositivos de segurança, capacitação dos trabalhadores e processos de produção mais adequados.


A qualidade do primeiro atendimento é de extrema importância, pois é dele que depende toda a evolução do caso. Um socorro mal conduzido gera sequelas graves e, muitas vezes, incapacidade funcional.


Além do trauma físico, outro problema a ser pensado é o custo desse tipo de acidente. “É importante ressaltar que a maior incidência dos acidentes e traumas da mão atingem a população economicamente ativa e o afastamento dessas pessoas de suas respectivas atividades, provoca um sério impacto econômico-social”, adverte Dr. Flávio Faloppa, da Associação Brasileira de Cirurgia da Mão.


Na maioria dos casos, os custos com acidentes englobam o atendimento médico e tratamento, indenização do acidentado, horas perdidas no trabalho, substituição do funcionário. Tudo isso gera prejuízo tanto para o governo, quanto para a empresa, mas principalmente para o trabalhador acidentado, que terá seu ganho diminuído durante a recuperação e, em casos de acidentes mais graves, carregará as seqüelas para o resto de suas vidas
.


Durante o Fórum Político Social ocorrido no 29° Congresso Brasileiro de Cirurgia da Mão, órgãos ligados ao trabalho, como o INSS e FIESP, discutiram juntamente com médicos da ABCM a importância do desenvolvimento de políticas que cuidem da prevenção de acidentes no âmbito de trabalho. Isto porque cada vez mais empresas e órgãos do governo se mostram interessados em uma cooperação mútua, na tentativa de minimizar os danos causados ao acidentado e o impacto econômico gerado por estes.


As estatísticas oficiais brasileiras ainda são limitadas, mas como explica o Dr. Luiz Carlos Angelini, da Associação Brasileira de Cirurgia da Mão, um acidente deste tipo pode sair caro. ‘Pacientes que ficam traumatizados são caros, eu tenho alguns aqui no consultório que, somando todos os gastos, o tratamento todo saiu três vezes mais caro’, afirma ele.


Para que estes problemas tenham uma melhor solução, é que foi criada a especialidade de Cirurgia da Mão, que tem, além de conhecimento profundo de anatomia, fisiologia e fisiopatologia, um aprimoramento da técnica cirúrgica. O objetivo da Cirurgia da Mão nos traumatismos é recuperar a mão acidentada o mais rápido e o mais perfeito possível para que essas pessoas voltem às suas atividades.

" A SEGURANÇA DE NOSSAS MÃOS , ESTÁ EM NOSSAS MÃOS!"



 Daniel Ferri 
    Reg. M.T.E. 24.842/SP

sábado, 16 de outubro de 2010

Dispositivos de Proteção * Sistemas de Alimentação.

São máquinas que processam a conformação e corte de materiais, nas quais o movimento do martelo (punção) é proveniente de um sistema hidráulico (cilindro hidráulico) ou de um sistema mecânico (o movimento rotativo é transformado em linear por sistemas de bielas, manivelas ou fusos). Para efeito do PPRPS (Programa de Prevenção de Riscos em Prensas e Similares), são considerados os seguintes tipos de prensas, independente da capacidade de cada equipamento: 
• Prensas mecânicas excêntricas de engate por chaveta 

• Prensas mecânicas excêntricas com freio/embreagem 

• Prensas de fricção com acionamento por fuso 

• Prensas hidráulicas 

• Outros tipos de prensas não relacionadas anteriormente 

Equipamentos Similares 
São aqueles com funções e riscos equivalentes aos das prensas. Para efeito do PPRPS, são considerados os seguintes tipos de equipamentos similares, independente da capacidade de cada um: 

• Martelos de queda 

• Martelos pneumáticos 

• Marteletes 

• Dobradeiras 

• Guilhotinas, tesouras, cisalhadoras 

• Recalcadoras 

• Máquinas de corte e vinco 

• Máquinas de compactação 

• Outros equipamentos não relacionados anteriormente 

Equipamentos com Cilindros Rotativos 
São aqueles que possuem cilindros rotativos para conformação de materiais. Para efeito do PPRPS, são considerados os seguintes tipos de equipamentos com cilindros, independente da sua capacidade: 


• Rolos laminadores, laminadoras, calandras e endireitadeiras 

• Misturadores 

• Cilindros misturadores 

• Máquinas de moldagem 

• Desbobinadeiras 

• Outros equipamentos com cilindros rotativos não relacionados anteriormente 

Ferramental 
Matrizes, estampos ou ferramentas (ferramental) são elementos fixados no martelo e na mesa das prensas e equipamentos similares, tendo como função o corte e/ou a conformação de materiais, podendo incorporar os sistemas de alimentação/extração relacionados no item 7 do PPRPS. 

Prensa Mecânica Excêntrica (PME) 
É a prensa mecânica onde o acionamento de descida do martelo (punção) provém de um movimento rotativo, que é transformado em linear, no qual o eixo de transmissão descreve um movimento excêntrico em relação ao movimento rotativo do volante. 

Prensa Mecânica Excêntrica por Engate de Chaveta (PME-EC) 
É aquela na qual o acoplamento do eixo de transmissão, para realizar a transformação do movimento rotativo em movimento linear, é operado por um sistema de engate de chaveta. 

Repique 
É um fenômeno exclusivo das PME-EC, freqüentemente responsável por acidentes causadores de graves mutilações em dedos e mãos, e que corresponde à ruptura da mola do sistema engate de chaveta, devido à fadiga ou por outras falhas de construção ou de manutenção, provocando a repetição involuntária do punção uma ou mais vezes, dependendo da capacidade da prensa e de outros fatores. 

Registro Importante 
Nas PME-EC é IMPOSSÍVEL comandar a parada imediata do movimento depois deste iniciado. Assim, não se podendo interromper o ciclo, torna-se impossível interromper o movimento de descida do martelo. Este é um outro fenômeno, independente do repique, mas igualmente perigoso. 




                                                                    Daniel Ferri 
                                                             Reg. M.T.E. 24.842/SP

PRENSAS E SIMILARES

Uma das máquinas que mais mutilavam mãos e dedos de trabalhadores são as prensas mecânicas excêntricas do tipo engate por chaveta. Apesar de ser considerado obsoleto, este tipo de máquina, é ainda largamente utilizada no parque industrial brasileiro, possui particularidades que dificultam sua proteção eficaz e é responsável por grande incidência de acidentes graves com mutilações de membros superiores (mais da metade dos acidentes de trabalho com mutilação, analisados pela Inspeção de Segurança e Saúde no Trabalho do MTE). As injetoras, da mesma forma, foram responsáveis por inúmeras mutilações e, as empresas de galvanoplastia, comprometeram a saúde e causaram acidentes graves e fatais por falta de controle total deste segmento. 

                                                                





Segundo levantamento feito em 1995 pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, as prensas estavam presentes em 53% das indústrias metalúrgicas da cidade de São Paulo, e seria impossível simplesmente se pensar no banimento destas máquinas devido à sua utilização em larga escala no processo produtivo. Nesse sentido, foi estabelecido como meta, naquele momento, o princípio de que o trabalhador jamais colocasse as mãos nos pontos de operação das referidas máquinas, iniciando-se um trabalho pioneiro de estudo e concepção de tecnologia (a custo suportável) que pudesse impedir a entrada das mãos e dedos e até braços dos trabalhadores, nos locais de risco. Foi o início da campanha permanente “Máquina, Risco Zero... Nossa Meta!”, empreendida pelo Sindicato, com apoio da DRTE/SP, da Fundacentro e parte do patronato.

Apesar de a OIT (Organização Internacional do Trabalho) tratar do assunto por meio da Convenção 119, ratificada pelo Brasil e com vigência nacional desde 16 de abril de 1993, estabelecendo proibição na venda, locação, cessão a qualquer título, exposição e utilização de máquinas e equipamentos sem dispositivos de proteção adequados; da nossa Constituição Federal assegurar adoção de medidas de proteção contra os riscos inerentes ao trabalho (art 7º, inciso XXII); o artigo 184 da CLT que determina que todas as máquinas e equipamentos devem ser dotados de dispositivos necessários para a prevenção de acidentes de trabalho; e da NR 12 da portaria nº 3214/78, que trata especificamente da proteção de máquinas e equipamentos, havia muito a fazer: conscientizar trabalhadores, sensibilizar empregadores, técnicos, autoridades e todos os segmentos da sociedade, para a importância e seriedade do assunto, e buscar soluções que de fato pudessem ser aplicadas nos diversos tipos de máquinas, consideradas perigosas e geradoras de riscos grave e iminente, como o caso das prensas de engate por chaveta, que, por estarem abertas, permitiam a entrada dos dedos e mãos em sua boca mutiladora.

Desta forma, foram estudados, negociados e criados mecanismos e princípios para a proteção de prensas e equipamentos similares, com o desenvolvimento de uma série de ações até o nascimento das convenções coletivas de trabalho específicas (estado de São Paulo) e da Nota Técnica nº 16/2006, ambos documentos de referência nacional para todo este trabalho, que tem muito pela frente.
Resumo das ações
1995 a 1998
– O Sindicato desenvolveu, com apoio da Fundacentro/MTB, projeto para PROTEÇÃO ADEQUADA EM PRENSAS, priorizando as mecânicas, excêntricas do tipo engate por chaveta,  uma das mais perigosas e responsável por considerável número de mutilações de dedos e mãos;
- Lançou Campanha permanente “MÁQUINA, RISCO ZERO... NOSSA META!”, sobre prevenção aos riscos de acidentes com prensas e equipamentos similares.  - Fechou acordos e negociações com empresas de São Paulo;
- Celebrou acordo que originou a Comissão de Negociação Tripartite sobre Proteção em Prensas, que antecedeu a atual CPN-IM;
- Assinou Protocolo de Entendimento para Proteção Adequada em Prensas e Similares, firmado em 25 de abril de 1998;
- Celebrou a 1ª Convenção Coletiva de Trabalho para a Melhoria das Condições de Trabalho em Prensas, específica para prensas e similares, em 27/05/99, instituindo o PPRPS como parte integrante da Convenção;
- Desenvolveu  Programa de Intervenção organizado nos locais de trabalho, com visitas bipartites e tripartites em empresas metalúrgicas da cidade de São Paulo;
- Lançou site, CD-Rom e Vídeo (premiado internacionalmente) e revista sobre Proteção Adequada em Prensas;

2000 a 2005 – Discutiu a  ampliação da Convenção para todo o Estado de São Paulo;
– Assinou Convenção de Prensas e Similares, Injetoras e Galvânicas em 29/11/2002, incorporando a Convenção específica de Galvânicas dos Metalúrgicos de São Paulo e a Convenção das Injetoras, dos químicos e plásticos;
- Em 2004, enviou do texto da Convenção Coletiva, como proposta inicial e referência, para a CTPP - Comissão Tripartite Paritária Permanente objetivando a implementação de legislação nacional sobre a matéria;
- Lançou no 9º ENCIMESP (Encontro de Cipeiros Metalúrgicos de São Paulo) a campanha “TRABALHADOR CONSUMIDOR” que exige QUALIDADE EM SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO, em 2005.



2006 a 2008- Assinou em 20/04/2006 a terceira edição da Convenção de Prensas e Similares, Injetoras e Galvânicas;
- Lançou a série Fóruns Técnicos de Debates, evento dos metalúrgicos, voltado aos profissionais de segurança do trabalho, principalmente os que atuam na metalurgia. O 1º promoveu discussão geral. O 2º Fórum trouxe o tema PPRPS sobre a Ótica da Fiscalização. A 3º edição discutiu A Ergonomia na Metalurgia – Prevenção às LER/DORT. O 4º instituiu a campanha de Prevenção Contra Riscos de Acidentes em Telhados. O 5º Fórum Técnico de Debates abordou novamente o tema PPRPS, em virtude do sucesso do 2º Fórum, quando muitos interessados solicitaram a volta do tema. Finalmente no ano de 2008, o Sindicato participação da XVII FISP  apresentando a Unidade Móvel MetalVida e realizou em 29 de agosto, no espaço da Feira, o 6º Fórum Técnico de Debates em parceria com o Sintesp, com a discussão da NR 4 - SESMT.
- Em 21 de agosto foi assinada a quarta e atual edição (vigência 2008-2010) da Convenção de Prensas e Similares, Injetoras e Galvânicas, com todos os seus anexos atualizados.





                                                                             Daniel Ferri 
                                                                     Reg. M.T.E. 24.842/SP              
Cuidado, está dando choque !
“Cuidado, está dando choque!” Esta expressão de alerta ainda é muito ouvida nos ambientes de trabalho, quando alguém se aproxima de determinados equipamentos. E isso é um mau sinal. Sua repetição indica a precariedade da instalação elétrica, do equipamento e dos dispositivos de proteção. O choque elétrico é a conseqüência de um acidente que pode e deve ser evitado: um contato com um material condutor de eletricidade, que não deveria estar energizado naquele momento. Não vamos tratar aqui dos acidentes com eletricistas em quadros, redes aéreas e subterrâneas, painéis e subestações. Esses casos, nós vamos abordar em outra ocasião. Estamos destacando aqui essas incontáveis ocorrências com aqueles que interagem indiretamente com a eletricidade, isto é, todos nós, em nossas casas, nas ruas, em atividades de lazer e, é claro, nos locais de trabalho.

Rapaz morre com choque elétrico
Um jovem de 22 anos morreu por arritmia terça-feira ao chegar no Hospital Santa Otília, de Orleans, após levar um choque elétrico numa máquina de solda. Atílio Weber era funcionário de uma empresa de silo e estava no interior do município fazendo a montagem de uma estrutura metálica quando aconteceu o acidente. Segundo informações repassadas pela Delegacia de Polícia de Orleans, o episódio aconteceu na comunidade de Vila Nova, próximo ao bairro Barracão, por volta das 14h. Durante vistoria de peritos no local do acidente foi verificado que o aparelho que o jovem estava usando estava em péssimas condições de uso, o que pode ter facilitado o choque. O laudo da polícia, que pode confirmar a causa da morte provocada por descarga elétrica, ainda não foi divulgado.
Fonte: A Tribuna de Criciúma - 28/04/2007



Por definição, o choque elétrico é o efeito que se manifesta no organismo humano quando é percorrido por uma corrente elétrica. Usando uma comparação simples, com base nos dados científicos disponíveis, a intensidade de corrente elétrica que pode começar a causar efeitos indesejáveis no organismo humano é mil vezes menor do que a necessária para fazer funcionar uma lâmpada de 100 watts. Infelizmente, pouca gente sabe disso e desdenha do perigo de instalações e equipamentos elétricos de baixa tensão. A maioria das pessoas já passou pela experiência de um choque elétrico e por terem saído ilesas consideram esse tipo de acidente inofensivo. Aplicam o princípio da auto-exclusão quando o assunto é a susceptibilidade aos acidentes. Alguns até acham engraçado “levar um choque”. É a completa banalização do perigo e o desconhecimento sobre a ocorrência estimada de mais de mil mortes por ano, no Brasil, decorrentes de acidentes com eletricidade; muitos deles em situações corriqueiras e em baixa tensão. Alguns curiosos se orgulham da coragem ao tratar com eletricidade, outros consideram exageradas as medidas de prevenção e há aqueles que acham tudo muito caro. Preferem comprar equipamentos e materiais mais baratos, suprimir dispositivos de proteção e delegar a execução e manutenção da instalação elétrica a um obreiro corajoso, promovido, “por bravura”, à condição de eletricista. Diante de todos esses absurdos, que ocorrem em todos os tipos de ambientes, incluindo os do trabalho, os profissionais de segurança, muitas vezes atônitos com a aparente complexidade do tema, são surpreendidos com acidentes graves e fatais em instalações e serviços de rotina.


Lavador morre eletrocutado
A eletricidade faz a sua terceira vítima somente esta semana na Região Metropolitana do Recife. O lavador de carros Walter Silva da Boa Hora, 41 anos, foi eletrocutado e morto numa bomba d´água, ao meio dia de ontem. O acidente aconteceu num lava-jato localizado na Avenida Marilene Guedes, no Jordão Baixo, quando Walter Boa Hora tentava consertar a máquina, que estava molhada.
Três fihos menores da vítima foram levar o almoço e presenciaram o acidente. Um dos garotos lembra que ainda socorreu o pai para a Policlínica do Ibura. “Ao ser levado para o hospital ele ainda estava gemendo, mas não deu tempo de salvá-lo e ele morreu”. A esposa de Walter, a dona de casa Vilma Ferreira de Lima, 44 anos, comentou que a bomba d´água quebrava constantemente.
Anteontem, outras duas pessoas morreram também por choque elétrico. Entre as vítimas estava uma menina de 4 anos. Ela morreu em conseqüência de uma forte descarga elétrica quando tentava ligar um ventilador, na Linha do Tiro. A outra morte foi registrada no Cabo de Santo Agostinho. Um operário foi eletrocutado enquanto tocava um grade de ferro da loja onde trabalhava.
Fonte: Jornal do Commercio de Pernambuco – 15/05/1998.


Registros de chuveiros, cercas, grades e portões, postes, andaimes, balcões térmicos, bombas e motores diversos, máquinas de solda, refrigeradores, enfim, uma série de equipamentos que deveriam estar cumprindo a sua missão funcional de transformar energia elétrica em frio, calor e movimento, transformam-se em algozes de pessoas inadvertidamente expostas ao risco de contato com suas partes indevidamente energizadas. Por que isso acontece e o que podemos fazer para impedir que continue ocorrendo? Vamos tentar responder e dar algumas sugestões.
Todos os equipamentos e instalações podem apresentar defeito; isso é algo inqüestionável. No caso de equipamentos elétricos, uma falha comum é o contato interno dos seus circuitos (fios e cabos) com as partes metálicas que os circundam. Quando isso ocorre, uma parte da corrente elétrica passa a circular pela parte externa desses equipamentos, procurando um caminho de baixa resistência para continuar fluindo. Quando alguém faz contato com esse equipamento, o seu corpo completa esse caminho mais fácil para essa corrente elétrica que quer “fugir” do circuito para o qual ela foi projetada. O corpo humano também oferece uma resistência à passagem da corrente elétrica cujo valor depende, entre outros fatores, do percurso dessa corrente pelo corpo e da resistência da pele nos pontos de contato. Por outro lado, a resistência da pela varia bruscamente com a presença da água, seja a umidade natural do corpo (suor) ou o contato com as mãos ou pés molhados ou em situações com partes do corpo imersas ou encharcadas. Apenas, para efeito de curiosidade, um valor atribuído à resistência do corpo humano, em ambientes externos, sujeitos à presença de água, é de 1.000 Ω e pode ser menor se ocorrer imersão de partes do corpo, como é o caso de tanques, galerias, caixas de passagem, banheiras e piscinas.
Ao percorrer o corpo humano, essa corrente elétrica causa danos, temporários ou permanentes, ao sistema nervoso; gera contrações musculares dolorosas, prolapso (deslocamento permanente de órgãos internos) e pode alterar o funcionamento de músculos vitais como o diafragma e o coração. Além disso, toda vez que ocorre a passagem de corrente elétrica, há dissipação de calor, podendo causar queimaduras na pele e em órgãos internos.

Menino fica desacordado ao tomar choque em Cuca Fresca
Rio - Menino de 9 anos desmaiou ao levar choque num Cuca-Fresca — aparelho que libera gotículas de água — no Posto 4, no Calçadão da Praia de Copacabana, na manhã de sábado. Lucas Marotta Silva acabara de sair do mar e estava com o corpo molhado e descalço quando acionou o aparelho e recebeu uma descarga elétrica. Seu padrasto, o eletricista Eliesé Rodrigues Costa, 44, precisou lhe dar uma rasteira para separá-lo do Cuca-Fresca. O garoto foi levado ao Hospital Miguel Couto, no Leblon. O acidente aconteceu às 11h50, quando Lucas, seu padrasto e o irmão, Hebert Almeida Barros, 13, estavam saindo da praia. "Enquanto eu andava na frente, os dois pararam para dar a última refrescada. Estava a uns 5 metros deles quando ouvi os gritos de Hebert. Quando vi que o Lucas estava agarrado ao aparelho, corri e só lhe dei uma banda para interromper a descarga elétrica", lembrou Eliesé.
A RioLuz lacrou o Cuca-Fresca defeituoso e espera laudo da perícia segunda-feira, para saber a causa do acidente e decidir se interditará os outros. Devido ao golpe, o menino caiu e bateu com a cabeça no chão. No hospital, exame de raio-X constatou lesão sobre o olho direito, mas ele já foi liberado. "Vou processar a prefeitura para cobrar uma providência", afirmou Maria Emília Marotta, 44, mãe de Lucas.
Policiais que socorreram Lucas disseram que esta não é a primeira vez que alguém toma choque naquele Cuca-Fresca. "Semana passada, vi umas 3 pessoas receberem descarga no aparelho", contou um PM. O microgotejador foi isolado com plástico pela Comlurb, e banhistas e quiosqueiros colocaram tampas de isopor com advertência de perigo. "É um absurdo. Além de dar choque, o aparelho está em péssimo estado. Tem até buraco de ferrugem", indignou-se a advogada Elisa Medeiros. Na orla, há 35 Cucas-Frescas do Flamengo ao Recreio.
Fonte: Jornal O Globo – 03/03/2007



Ora, se os equipamentos e instalações elétricas estão sujeitos a falhas e elas podem expor as pessoas ao risco de contato, com conseqüências graves e previsíveis, é natural que sejam adotadas medidas de controle. Essas medidas são conhecidas e previstas nas normas técnicas de instalações elétricas e a sua adoção é obrigatória de acordo com inúmeros instrumentos da legislação vigente, desde o código de defesa do consumidor, até a regulamentação trabalhista específica (NR-10), passando por alguns outros menos conhecidos, mas que servem de reforço ou respaldo; se é que isso é coisa necessária para se fazer o que é certo.
“Faça a coisa certa.” Esta é a principal recomendação quando o assunto é a segurança das pessoas que podem estar expostas ao perigo. Não há muitas novidades em medidas de proteção contra choques elétricos. Os conceitos básicos são antigos, pois estamos falando de aterramento por meio de condutores de proteção (fio-terra), tomadas e plugues com três pinos para permitir a conexão do fio-terra até o quadro de distribuição, dispositivos de proteção diferencial, duplo isolamento de ferramentas elétricas manuais, fios e cabos protegidos em eletrodutos e bandejas (eletrocalhas), circuitos protegidos por disjuntores e fusíveis, inspeções e testes periódicos no sistema de aterramento, utilização de extra-baixa tensão para locais com possibilidade de contato em imersão (banheiras e piscinas, por exemplo).

Morte de homem que limpava piscina de clube será apurada
A morte do funcionário Adão de Oliveira, 49 anos, ocorrida às 12h30 de anteontem, quando realizava limpeza de uma das piscinas do clube de campo da Associação Atlética Internacional de Limeira, terá circunstâncias apuradas pela Polícia Civil. O caso foi registrado no 4º DP pelos PMs Alexandre e Anderson como “acidente de trabalho com vítima fatal”. Oliveira era funcionário do clube e teria sido eletrocutado ao manusear uma máquina durante a limpeza de uma das piscinas do clube, que fica na zona rural, com acesso pela Via Pref. Jurandyr Paixão de Campos Freire (antiga Via Tatuibi).
O fato teria sido presenciado por outros trabalhadores do local, que acionaram socorro. Oliveira morreu após chegar à Santa Casa. O funcionário residia na Rua José Manoel Francisco, 75, Jardim Santina e seria o funcionário mais antigo do local. Segundo informações prestadas pelo setor de atendimento da Funerária Bom Pastor, seu enterro ocorreu às 15h de ontem no Cemitério Parque. (Assis Cavalcante)
Fonte: Gazeta de Limeira – 30/03/2007



Não se espera que os profissionais de segurança dominem toda essa tecnologia. O nosso papel é fazer valer a nossa capacidade de percepção de risco e exigir dos especialistas, sejam eles os engenheiros, eletrotécnicos ou eletricistas, a comprovação da obediência às prescrições técnicas de projeto, operação e manutenção das instalações. Vale destacar que o eletricista é o executor dos serviços, cuja especificação deve estar sob a responsabilidade técnica de um engenheiro ou de um eletrotécnico, dependendo das características da instalação.
Se há contato com equipamentos elétricos, há o risco de energização acidental. Basta que a tensão da instalação seja igual ou superior a 50 volts. E isso vale no Brasil e em qualquer lugar do mundo. É um dado que deve estar previsto nas análises de risco. Ainda mais nos ambientes de trabalho, pois os acidentes com eletricidade apresentam uma taxa de gravidade mais alta do que a média dos outros tipos de acidentes de trabalho.
O choque elétrico mata, mesmo em baixa tensão, e com equipamentos e instalações rotineiras. Sem medidas de proteção adequadas não há como escapar; é apenas uma questão de tempo. Não basta pensar sobre o assunto, é preciso agir. E isso vai muito além do cumprimento de uma norma ou regulamento, como é o caso da NR-10, é uma mudança de cultura, é a implantação de uma cultura de segurança.

                                                              Daniel Ferri 
                                                      Reg. M.T.E. 24.842/SP                                                        

sexta-feira, 15 de outubro de 2010






TRABALHOS EM ALTURA


Se perguntarmos a qualquer profissional de segurança qual o tipo de acidente de trabalho que mais mata com certeza obteremos como resposta as quedas de níveis diferentes. E não nos referimos de forma alguma apenas a realidade brasileira.
Ora, se os acidentes desta natureza implicam em tais resultados, porque as Normas relativas a trabalhos deste tipo são tão reduzidas ?






Plantão de final de semana de uma grande empresa qualquer. Tempo e momento de realizarem os trabalhos de manutenção, sai de campo a equipe da produção e entra em campo a equipe da manutenção, hora e vez de realizarem todos os trabalhos que não é possível realizar durante a semana, alguns em tempo recorde, todos imprescindíveis a continuidade e ampliação das operações. Em tempos passados, era o momento da manutenção desdobrar-se, hoje, é tempo de encontrarmos diversas empresas contratadas, realizando aqueles trabalhos considerados "especiais" que vão desde as Áreas Confinadas até mesmo aos temidos trabalhos em altura. Não é preciso ir a uma fábrica ou mesmo ser da área de segurança do trabalho para saber que os trabalhos em altura matam, basta tão somente saber ler e durante a semana abrir or jornais para encontrarmos noticias sobre as mortes ocorridas por quedas de fachadas, telhados e outras mais.


Nós de segurança, em especial, sabemos o que é isso. Diante das autorizações para execução de serviços, por mais que sejamos experientes e habilidosos ficamos temerosos. Trabalhos em altura são sempre perigosos, mais ainda porque trata-se de uma área onde desenvolvimento de métodos e tecnologias quase inexiste. Além disso, apesar de significar tanto risco, trabalhos desta natureza geralmente são realizados por pessoas totalmente despreparadas, seja do ponto de vista técnico, seja quanto a aptidão certificada por exame medico. Aquilo que por natureza já é perigoso, passa a ser ainda mais quando sabemos que nas estruturas estarão trabalhando pessoas mal alimentadas, de pouco ou nenhuma instrução, levadas a este tipo de trabalho pela necessidade de sobrevivência. É fácil afirmar, que na atualidade a realização destes trabalhos está mais associada a uma loteria de fatores do que qualquer condição real de assegurar condições mínimas de segurança.

Não há muito o que fazer. Se na teoria de nossas convicções filosóficas a vida é de suma importância, naquele momento a realização do trabalho tornar-se prioritária; A empresa precisa do trabalho e os empregados que irão realiza-lo precisam do emprego.

Todos nós conhecemos este quadro. Todos nós sabemos como são feitos a maioria dos trabalhos em altura. Por tantos conhecerem, pelas evidências escritas nos inúmeros e incontáveis acidentes fatais que já ocorreram, parece-nos por demais estranho que não exista ainda uma legislação especifica para este assunto. Supostamente as leis são feitas para assegurarem direitos, é a vida ainda é um direito. Supostamente as leis devem resguardar os interesses de todos os grupos e segmentos, e estes trabalhadores fazem parte de um segmento que carece demais deste tipo de garantia. A questão do trabalho em altura merece com certeza mais atenção do que vem merecendo, deixando de ser apenas uma citação na NR 6 (cinto de segurança) e alguns poucos itens da NR 18, para ser de fato uma norma clara e abrangente, capaz de auxiliar na prevenção destes acidentes geralmente fatais.

O que pode ser feito ?

Com certeza muito. A primeira atitude a ser tomada é rompermos com o paradigma da mera e constante culpa do empregado, não só apenas em acidentes deste tipo, mas acidentes de toda natureza. Rompendo-se com este velho paradigma, aquela que nos leva a escrever com tanta facilidade ATO INSEGURO, talvez nos vejamos obrigados a de fato estudar e consequentemente propiciar condições mais adequadas e reais de segurança. Parece-nos pelo menos desonesto, quando não anti-ético, supormos que a mera entrega de um cinto de segurança a uma pessoa seja tudo que se possa fazer tecnicamente para assegurar condições seguras em um trabalho desta natureza. E pelo menos ridículo notar o quanto as pessoas nem ao menos observam a ausência de um local adequado a fixação do mesmo.

O principio é simples: Homens não voam ! E assim sendo, não devem em qualquer momento de um trabalho em superfície acima do nível do piso estarem soltos. Deve ficar claro, que qualquer situação diferente desta é a anti-prática da prevenção. Portanto qualquer planejamento de trabalho em altura deve prever a possibilidade real de manter o homem preso durante todo o tempo de realização do trabalho, inclusive e em especial nos acessos/decessos necessários.

Passo a passo entendemos que a situação mereça a seguinte atenção:

    • Toda equipe de trabalho em altura deve ter um coordenador, que para desenvolver seu trabalho deverá receber treinamento compatível. Deve conhecer cabos de aço e cordas, a ponto de poder inspeciona-los, fixa-los de forma correta e rejeita-los antes do inicio de cada jornada quando não apresentarem condições plenas de uso. Deve conhecer andaimes e escadas, desde a montagem correta dos primeiros até a inspeção detalhada de ambos. Deve saber inspecionar, montar e usar cintos de segurança com habilidade impar. Deve ter conhecimentos sobre a capacidade e resistência dos diversos tipos de telhas e coberturas. Deve também estar treinado para métodos de socorro para empregados projetados e presos por cinto de segurança. Neste primeiro item, vemos logo de cara a incoerência com que se trata o assunto, visto que na atualidade os trabalhos em altura são coordenados na grande maioria das vezes por pessoas sem qualquer conhecimento, que se expõe e faz o mesmo com toda sua equipe de trabalho.

    • Qualificação especifica do profissional de segurança do trabalho que fará acompanhamento, mesmo porque é muita pretensão supor que qualquer um de nos domina todas as áreas da prevenção com amplo conhecimento. Ao longo dos anos tenho visto verdadeiros atestados de óbitos prévios através das prescrições feitas por alguns de nossos colegas para trabalhos em altura. Diga-se de passagem, Trabalhos em Altura deveria ser uma matéria especifica de nossos cursos, onde aprendemos tantas coisas que jamais usamos e de certa forma deixamos de ver aquilo que de fato nos interessa.

    • Planejamento prévio do trabalho, tal como se fosse uma ação de guerra, com analise de risco elaborada por todo grupo, questionando-se fase a fase, definindo-se passagens, transporte de materiais e responsabilidades.

    • Exame medico compatível com o risco do trabalho. Já tivemos a infeliz oportunidade de encontrarmos pessoas com epilepsia trabalhando em altura. No entanto, a seleção medica não deve ser apenas a única fase de responsabilidade quanto ao assunto, visto que operários alcoolizados devem ser retirados deste tipo de trabalho, situação que deve ficar clara a todos membros da equipe na fase de planejamento.

    • Treinamento da equipe. Parece absurdo dizer, mas a grande maioria das equipes que trabalham em altura jamais treinaram para isso. Vale mesmo, a valentia ! Não é preciso ser muito especialista para entender que andar ou permanecer em superfícies altas não é algo inerente a pessoa humana.


    • Equipamento de uso individual adequado. Há pouco tempo assistimos uma demonstração de um especialista francês, o qual apresentou uma infinidade de equipamentos modernos, leves e versáteis para trabalhos em altura, na verdade, adaptação de equipamentos de alpinismo para esta finalidade. O que temos hoje em uso, além de obsoleto é perigoso, desconfortável a ponto de ser desinteressante seu uso. O equipamento de segurança deve ser agradável ao homem, deve induzi-lo ao interesse por conhece-lo e saber usa-lo. Deve ser guardado e cuidado como uma ferramenta especial, limpo o bastante para ser atrativo. Qualquer um de nós sabe que a realidade não é esta. Nem mesmo calçados com solados anti-derrapantes, um equipamento mínimo para tal trabalho consegue-se encontrar nestes locais de trabalho.

    • O equipamento de uso coletivo. Sem dúvida alguma, uma das maiores industrias do Brasil é a que fabrica informalmente escadas e andaimes, notável por sua capacidade de gambiarras e improvisações que tem como uma única constante a insegurança. Em qualquer empresa, em qualquer obra é possível encontrar uma série destas escadas e andaimes, fabricadas pelo improviso necessário que ocorre pela falta de meios adequados e tecnicamente corretos. Com o advento da NR 18, muito pode ser melhorado nos andaimes, infelizmente tais melhorias ainda estão restritas as paginas da referida Norma e há poucas empresas que fazem com que se cumpra. De fato as condições são precárias e mata-se por isso, mata-se pela total falta de respeito ao que há de mínimo em alguns segmentos.


    • Termo de Responsabilidade Técnica, mesmo porque trabalho em altura é e deve ser visto sempre como uma atividade que deve ser tratada de forma especial
O que mais deve ser levado em consideração ?

Importante lembrar como é composta a mão de obra da industria da construção no Brasil, e que portanto, se estas recomendações não forem transformadas em legislação e assim obrigar aos responsáveis, a aqueles que aferem lucros com a utilização da mão de obra a tratarem o assunto mais seriedade, as mortes vão
continuar ocorrendo na mesma quantidade que temos hoje. Poderão dizer alguns que tais medidas oneram suas empresas, o que não acredito de fato, mas como resposta diria que com plena certeza tais mortes oneram a sociedade. Ora, se alguém deve pagar, ou se de fato há algo a ser pago que seja quem obtém lucro diretamente.

Muitos equipamentos e meios para prevenção de acidentes ou mais ainda, correções em máquinas ou instalações de fato tornam-se inviáveis devido ao seu alto custo, custo este geralmente surgido pela total inobservância de meios de segurança quando da elaboração do projeto. No entanto, na questão do trabalho em altura estes custos não tem o mesmo significado, em especial porque os equipamentos tem vida útil longa e geralmente são versáteis.



Acreditamos piamente que a questão do trabalho em altura deva ser normatizada de forma distinta, seja esta normatização oficial, de preferência, ou meramente técnica, mas algo que valha no sentido de assegurar condições mínimas de segurança.

Não podemos mais, assistir a tudo que ocorre sem como especialistas que somos tentarmos fazer algo; temos o dever técnico e acima disso o dever social. A prevenção de acidentes do trabalho no Brasil é muito passiva e esconde-se covardemente atrás da instituição da culpa atribuída ao operário, que de fato, existe em alguns casos. No entanto é pretensioso demais, mentiroso aos extremos querer imputar tal culpa em trabalhos como os feitos em altura, nas condições que hoje conhecemos.

Há muito por ser feito. Uma certeza temos: Não são apenas papeis que manterão as pessoas vivas !


                   Daniel Ferri 
            Reg. M.T.E. 24.842/SP